• Ariane Sasso

Edição extraordinária: Castelo-ES -Sustentabilidade e Enchentes.

Atualizado: Fev 29

Algumas coisas na cidade não mudam nunca.


Você passa por elas e nem mesmo se apercebe que elas estão ali.


Na nossa pequena cidade de Castelo-ES, também é assim.


Há uns 30 anos (desde a minha infância) temos este edifício plantado no centro do nosso Castelo.


Edifício no centro de Castelo - Foto da autora.


Abandonado aos ratos e aos pombos, literalmente.


Inegavelmente um perigo.

Ligação Centro de Castelo e Beira Rio - Fotos da autora.


Esse local também já foi parada de drogados, surtados e espertos em geral. Latrina central do município.


Antes dele tínhamos uma passagem em chão de terra batida entre o Centro e o Parque Municipal Júlia Venturim Dadalto – Parque da Beira Rio, por meio de uma passarela suspensa sobre o rio Castelo.


A ventilação mais rápida no vale do rio associada à diferença de pressão entre ar mais frio (rio) e ar mais quente (centro da cidade) colaboravam muito para a melhoria do microclima do local.


Era um ponto de ventilação maravilhoso para a Av. Ministro Ararípe, principal ponto de comércio do município.


Imagem de aulas da autora.


De fato no vale do rio ocorre o Efeito Venturi, e as regiões com ar mais aquecido, como o da avenida, acabavam dando espaço e “sugando” os ares mais frescos do vale do rio.

Infelizmente o terreno de chão batido, de propriedade particular, não foi adquirido pela municipalidade.


Nenhuma gestão, nenhum gestor municipal, nenhuma administração, nenhuma política pública de então conseguiu olhar para este ponto específico do centro da cidade como um lugar a ser dado para os moradores da cidade.


A rodoviária, localizada anexa ao parque municipal, e o centro poderiam se tornar um grande e acolhedor local de boas vindas da cidade de Castelo, com ligação direta para o coração do comércio do município.


Faltou-nos estratégia de marketing e vendas! Talvez a ACIC devesse abrir os olhos para isso.


Perdemos essa oportunidade.


No local foi construído o edifício. Que embora tenha previsto a manutenção da passagem por meio de galeria do centro para o parque municipal o fez da forma mais mesquinha possível.


Túnel entre Centro de Castelo e Passarela da Beira Rio - Fotos da autora.


Sem oferecer nenhuma gentileza nem para os passantes e nem para a cidade.


O prédio começou a subir, e antes de terminada a execução fora condenado.


Haveriam ali lojas para comércio. Uma passagem estreitíssima para pessoas. Com a interdição o que sobrou foi um túnel horripilante .


Hoje está condenado. Sem uso. Sem utilidade. Sem valor. Plantado no coração da cidade.


Além das questões referentes às doenças como Leptospirose (transmitida por presença de ratos) e Criptococose (transmitida por presença de pombos, dentre outras), a estrutura está abandonada há décadas.


Um completo absurdo, pois as pessoas passam por baixo dele todos os dias.


Talvez estejamos esperando alguma parte dele cair, e matar alguém, para que se tome alguma providência de fato para proteger pessoas.


Atrás dele ainda fora executado outro edifício, com a as mesmas características mesquinhas e inapropriadas no que diz respeito a gerar vida e a dar segurança ao centro da cidade.


Esse praticamente dentro do rio.


São esses equívocos de gestão e de consciência da população em relação ao uso do solo das cidades que vão se acumulando e acabam por matar os centros das cidades, normalmente nascidos próximos a rios. Acabam se tornando lugar sub utilizados, sem atrativos e, por consequência, sem valor comercial. E agora lugar de enchentes.


Se as pessoas não conseguem utilizar os espaços urbanos de forma diversificada: residencial, para recreação, trabalho, contemplação isso pode ser indício de que este espaço está em desequilíbrio com as necessidades reais das pessoas. Ele mais cedo ou mais tarde vai falir se não forem tomadas medidas para reverter o desequilíbrio.


Isso reduz suas qualidades no quesito LOCALIZAÇÃO, tão atrativo quando o assunto é venda de imóveis.


Se um espaço urbano tem limitação de horário para o seu usufruto, significa que ele tem valor especificamente para aquele horário, mas pode ser inútil para uso em outros horários. Pois ficam mortos.


Se um lugar é invadido pelas águas a cada 40 anos existe uma perspectiva de que habitualmente não ocorre inundações. Mas quando passa a ser invadido a cada 5 ou 10 anos começa-se a se pensar se vale a pena investir naquele lugar.


Os aluguéis tenderão a cair, e a confiança dos comerciantes também.


A enchente de 2020 serviu para mostrar que estamos errados em muitas questões. A forma como usamos o solo urbano, se não o maior equívoco que temos cometido, certamente é um dos principais.


Bairros de Castelo: Independência e Santo Andrezinho- Fotos de Lariano Fim.


Construções que não valorizam as pessoas desvalorizam a cidade, como um todo. Seja no episódio de evento climático, seja no dia a dia e na rotina das pessoas.


Uma boa forma de tentarmos nos redimir seria começar a repensar o que queremos para a cidade, para nós, para os nossos filhos.


O Rio Castelo acabou de levar, ou condenar, inúmeros imóveis. O bem particular de muitos agora não tem nenhum valor.


Os terrenos ficaram, mas à beira do rio. Quem vai querer comprar? A que preço?


Bairros de Castelo: Vila Isabel - Fotos da Autora.


Se sua cidade não tem valor, não tem nenhuma qualidade ou vantagem a oferecer, o seu terreno, lote, ou posse certamente também não terá.


De tudo o que aconteceu, seja em Iconha, Vargem Alta, Castelo ou Cachoeiro, a única coisa que realmente importa são as pessoas. E o que elas, todas, realmente querem é o mais simples: Um bom lugar para se viver.


Foto da internet


É hora de começarmos a olhar para as cidades e enxergar o que elas realmente são: Casa (lar, ninho, segurança, conforto, paz) para pessoas.


DICA DA ARIANE:

Não aceite mais qualquer paliativo como solução de grandes problemas.


Queira uma cidade melhor. Crie representação no seu bairro, denuncie o que está ruim, exija dos representantes legais que se coloque as pessoas em primeiro lugar.


Não permita que a cidade seja ordenada por quem não tem nenhuma formação a respeito de planejamento das cidades. É como levar uma criança ao açougueiro em vez de ao pediatra.


Os técnicos estão realmente cansados de tentar em vão.


Se a população não exigir, continuar a ignorar seus direitos e não cobrar o cumprimento dos deveres nada muda.

DICA DE ESPECIALISTA:

Sustentabilidade há muito tempo deixou de ser conversa de "ecochatos". É uma necessidade real.


Não se trata mais de permitir que a natureza sobreviva. A Terra sobreviverá.


Sustentabilidade é a única maneira de garantir que nós sobreviveremos à Terra.

Lute pelo nosso futuro.

Bibliografia e fonte de imagens:

Tópicos de aula de Conforto Ambiental.

https://descubracastelo.com.br/enchente-em-castelo-2020/ - em: 15/02/2020.

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