• Ariane Sasso

Metodologia de ensino BIM + SCRUM - Parte 1

Atualizado: Fev 29


Olá. Tudo bem. No ano de 2018 estivemos ausentes do arq+ sustentAÇÃO. Mas hoje estamos voltando, de cara nova e com novas experiências envolvendo arquitetura, construção civil e tecnologia.

Nosso artigo de hoje é sobre uma dessas experiências: a de ensinar BIM por outra metodologia que não a da ferramenta de BIM formato cursinho de escola de computação.

Para essa audaciosa proposta foi usada metodologia SCRUM, inicialmente desenvolvida para reduzir falhas em processos de comunicação em empresas de desenvolvimento de software e até em processos internos do FBI.

Fonte: Imagem de Internet

Em 2017, eu Ariane, comecei a ministrar aulas de computação gráfica com fundamentos em BIM para os queridos alunos da Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário São Camilo, Cachoeiro de Itapemirim - ES, com apoio da ferramenta Autodesk Revit Architecture em carga horária 40h/aula, períodos matutino e noturno.

As duas primeiras turmas passaram pelo processo do ensino da ferramenta, em turmas com mais de 22 alunos.

Essa primeira experiência foi deveras frustrante, porque o padrão de ensino estabelecido hoje e a tipologia discente exige do docente mais que energia, amor aos alunos e conhecimento teórico. É preciso fundamentação teórica e prática, atuação interdisciplinar, atualização para com tecnologia disponível, conhecimento do mercado de trabalho e vida real de projeto e obra, ou seja: Você precisa estar inserido no que está acontecendo dos pés à cabeça. Os alunos tem informações disponíveis à vontade. O professor precisa ser mais que informação.

O conteúdo previsto para as duas primeiras turmas quase não foi concluído.

O ensino puro de ferramenta que trabalha em plataforma BIM para alunos de graduação é simplesmente inadequado. Embuste.

Insatisfeita preparei estratégia de ensino diferente para a terceira turma, já em 2018. A turma também tinha mais de 22 alunos e a mesma carga horária.

Fora utilizada para isso conceitos da metodologia ágil SCRUM, que se adéqua à política de métodos ativos da instituição.

O SCRUM é uma metodologia de planejamento, ação e teste, muito visual e que permite acompanhar quase que instantaneamente o que está acontecendo naquele momento do processo de planejamento-produção.

"O Scrum tem um foco muito grande em ser um framework e não um método: uma estrutura mínima que te dê subsídios para avançar dentro do ágil, mas sem você ter de começar do zero. Suas cerimônias, papéis e artefatos constroem disciplina e tomada de consciência do time para a transparência, inspeção e adaptação ¹."

Fonte: Imagem de Internet

Lista-se o que precisa ser feito e começa-se a desenvolver "histórias (estórias)" que construam o processo de desenvolvimento dessas tarefas. Sempre com um modelo para teste dos resultados.

Quem olha para um Painel SCRUM atentamente consegue quase que imediatamente entender o que está sendo planejado e o ponto do desenvolvimento do plano com as verificações sobre o produto do plano.

No nosso caso o produto seria o modelo da construção a ser modelado.

Assim o período fora estruturado em cinco momentos distintos:

  • Conceituação geral;

  • Apresentação da ferramenta e comandos básicos;

  • Scrum de Equipes;

  • Centralização dos modelos;

  • Processo de Impressão e Simulações Computacionais.

E foi uma loucura! Mas muito mais satisfatório.

Inicialmente foi abordada a temática da introdução ao BIM, sem diferenças para com o período anterior.

Depois o momento de conhecer a interface do programa e as ferramentas base para o trabalho com o Revit. Comandos de modificação, comandos de edição, modelagem de elementos superficiais em forma de passo-a-passo de curso de ferramenta.

E assim fora modelada a maior parte do terreno, com inserção de linha de propriedade, alguns pads e eixos de coordenadas. Também foram lançados todos os níveis de trabalho que seriam utilizados no modelo do período.

Enquanto isso, no planejamento da disciplina, fora desenvolvido um modelo hipotético, que foi chamado de Modelo da Professora.

Fonte: Modelo da Professora Ariane

Deste modelo foram criados outros cinco modelos conforme os sistemas de construção que foram utilizados no modelo inicial.

Cada um desses modelos secundários seria destinado a uma das equipes de trabalho que seriam criadas para desenvolver aquele sistema específico no momento Scrum de Equipes.

Essa foi a maneira encontrada para que os alunos compreendessem e experimentassem na graduação a ideia de trabalho colaborativo, com equipes de projeto distintas.

Assim a turma fora dividida em cinco grupos conforme os sistemas que seriam modelados:

  • Equipe COB - Modelagem de Coberturas;

  • Equipe ELO - Modelagem de Esquadrias e Layout;

  • Equipe EP - Estrutura e Pisos;

  • Equipe FF - Modelagem de Fechamentos e Forros;

  • Equipe TP - Terreno e Paisagismo.

As equipes foram apresentadas rapidamente ao método Scrum (as 40h/aula voam), e foram apresentadas às "regras do jogo" Painel Scrum que seria utilizado.

Fonte: Foto da Professora

Cada uma das equipes recebeu inicialmente uma prancha com informações modeladas e escritas do seu sistema como a prancha a seguir.

Fonte: Arquivo da Professora

Esse era o arquivo base de dados por meio do qual as equipes iriam iniciar suas atividades sob o método Scrum, de forma livre e experimentando o trabalho com a ferramenta e testando o modelo que estavam desenvolvendo. Comparando com a base de dados.

Inicialmente os alunos receberam ajuda na organização de prioridades, para que não houvesse retrabalhos desnecessários no desenvolvimento das atividades.

Os Sprints iniciais foram generosos, de 21 dias devido à novidade da ferramenta e necessidade de adaptação ao método ágil.

Algumas equipes se saíram muito bem. Em uma semana já estavam entregando o previsto para três.

Outras levaram mais de um mês para desenvolver o mesmo volume de atividade que as primeiras.

Outras simplesmente não apareciam às aulas, quando estavam planejadas "a revisão" em forma de reuniões de orientação diante do painel e do modelo. Momento quando a tarefa é dada como realizada, ou não.

Fonte: Foto da Professora

As equipes que estavam empenhadas e engajadas na proposta foram timidamente movimentando suas tarefas no painel.

Fonte: Foto da Professora

Cada equipes tinha um TI (transmissor de informação), que era a pessoa como a qual eu me comunicava com maior frequência sobre o andamento das atividades fora da sala de aula, com apoio de recursos tecnológicos já conhecidos.

À medida que os Sprints eram vencidos o nível de informação com que o programa era alimentado aumentava, e os alunos iam sentido porque costuma-se dizer que apenas 20% da informação é modelada.

Essas informações aprofundadas, seriam tabeladas devolvendo as informações inseridas pelas equipes.

Posteriormente no momento Centralização dos Modelos os sistemas separados seriam centralizados para verificação, conferências e ajustes - prática similar a da compatibilização de projetos.

Depois disso as equipes desenvolveriam memoriais descritivos, que agrupados contemplariam todos os sistemas que foram modelados e centralizados, com base em pesquisa sobre a real aplicação das tecnologias construtivas que foram modeladas. Este seriam um momento de grande interdisciplinaridade entre a prática de BIM e as disciplinas de tecnologia e materiais.

Além disso, o memorial descritivo de obras, que costuma ser negligenciados nos cursos de graduação, poderia, ainda que imaturamente, ser abordado.

Por último o momento Processo de Impressão e Simulações Computacionais, quando voltamos ao sistema de passo-a-passo para que todos realizassem essas rotinas individualmente.

Primeiro porque todos devem saber imprimir, o que é bem simplificado nos softwares que trabalham em BIM. E, segundo, porque o que todos querem saber é como é feita a mágica da renderização no Revit.

Lições da experiência:

  • Confirmada a suspeita sobre a necessidade de um plano de ensino de BIM em graduação que não tente competir com os cursos de software de 40h/aula. Essa carga horária é insuficiente mesmo para treinamento em software quando as turmas tem mais de 15 alunos;

  • O método exige continuidade, cadência, disciplina e rotina;

  • Qualquer imprevisto que acontecer no decorrer da experiência pode expor o método a um desencanto irremediável - o método parece tão bobo aos olhos dos alunos que é bem fácil de ser o abandonado por eles;

  • Entender BIM como uma necessidade real de transmissão de informação em processo de projeto e construção foi desconcertante para a maioria dos alunos, quase decepcionante;

  • Aplicar a metodologia é possível, mas ainda precisa de ajustes e maior amadurecimentos dos alunos quanto ao processo de projetação e construção dos edifícios - transformação do desenho (planejamento) em edifício (produto);

  • É prudente que a forma de avaliação dos alunos seja muito bem esclarecida, para não haver dúvidas ou questionamentos duvidosos;

  • Neste modelo, será fundamental que os alunos sejam alertados que a disciplina, apesar de prática, não é uma disciplina subjetiva, é uma disciplina sobre processo de transmissão de informação - rotina e disciplina estão subentendidas no pacote.

Correções para próximas experiência:

  • Não usar outros recursos como check lists para que os alunos cumpram as tarefas, a não ser que seja uma fórmula desenvolvida por eles próprios para atender o sprint - o risco de abandonarem o painel scrum é muito alto;

  • Deixar claro que existirá a métrica e que será critério avaliativo desde o início do processo;

  • Deixar claro como será realizada a comunicação com os TIs - apresentar os limites claramente;

  • Ter bem definido um número mínimo de sprints a serem cumpridos para atender a média, e computar os extras como bonificação - essa é uma questão delicada de lidar especialmente nas faculdades onde não há trancamento de matérias com pré-requisitos que não foram atendidos;

  • Desenvolver melhor a ideia do "Criar Histórias", pode ajudar a reduzir a rigidez e a envolver maior quantidade de alunos criativos;

  • Tornar mais claro qual deverá ser o papel de cada integrante da equipe e como isso será avaliado;

  • Sprints com máximo de 7 dias apoiado pela transparência do método avaliativo;

  • Carga horária - buscar correção.

DICA DA ARIANE:

Quero aproveitar para sugerir uma grande leitura para quem procura produzir mais, em menos tempo e ama trabalho em equipe com alto rendimento:

Fonte: Amazon.com.br

Também disponível em papel, e você pode ler a prévia do livro antes de comprá-lo².

Outra dica é o livro do Luiz Tools (Luiz Duarte):

Esse eu estou saboreando agora e já estou pensando em usá-lo na bibliografia. É muito bom!

Só em versão e-book.

AbraSasso! Nos encontramos nos próximos artigos.

Ainda tem dúvidas??? Que tal uma consultoria nesse assunto???

YT: Arianesas

FB: e53.arq

Insta: arq.ariane.e53

ariane@e53.arq.br

Referências:

1. http://www.luiztools.com.br/post/o-que-e-melhor-scrum-ou-kanban/?gclid=Cj0KCQiA4aXiBRCRARIsAMBZGz_KX3B27pBS2BBw7dwWYsbuGJ9ekitdfOwBxZwQzB-pgWIzU1bwQHAaAhyBEALw_wcB

2. http://leyaprimeiro.com.br/anteriores/jun-jul-16/pdf/jun-jul/scrum.pdf

Bibliografia e fonte de imagens:

SUTHERLAND, Jeff. Scrum - A Arte De Fazer o Dobro do Trabalho na Metade do Tempo, tradução de Natalie Gerhardt. São Paulo : LeYa, 2014.

http://fekrimges.pw/Painel-de-controle-da-empresa-para-melhores-projetos-de-controle-e.html

Em: 28/01/2019

https://winnowmanagement.com/events/state/fl

Em: 28/01/2019

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estúdio53 arquitetura e eficiência/ Tel: 028-3542-1905 / contato@e53.arq.br / © 2019 por estúdio53

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